Sintonia fina
Fui dormir pensando no Nada.
Acordei pensando no Nada.
Tomei café pensando no Nada.
Abro o orkut, uma mensagem do Nada.
Falo nada.
I'm hanging up on you
Voltei à fase Nada. Desliguei do outro.
Fecho-me em meu casulo para ressurgir feliz, ruivo e surtado.
E meu cu pro mundo.
Hospitaleiro, eu?
Veio, largou as coisas espalhadas pelo quarto e se foi sem dar noticias de quando voltaria. Quando um problema parece ter sido resolvido, eis que surge um novo: a pensão. Minha casa agora virou um local onde ele guarda seus bagulhos e volta apenas para pega-los.
Hoje, horas depois sem noticias dele, resolvi ligar para saber o que ele havia planejado. Ele, claro, continuou a atuar. Ao final da ligação ele percebeu que meu tom de voz era de desgosto.
Eu me aguento; sempre que ele pergunta "tà tudo bem?" pelo telefone eu digo "tudo otimo..." e ele faz que acredita. Logico que amanhã quando ele vier o mundo virà abaixo.
O outro ator e eu
Muito tempo depois eu volto para contar mais lamurias neste muro de lamentações... Fica parecendo que escrever virou minha valvula de escape. Ou talvez seja apenas puro egoismo, de querer guardar as coisas boas apenas para mim.
O que acontece de fato é que as coisas com o outro ator - este de três posts abaixo - estão indo de mal a pior desde o começo de setembro. Brigas infinitas, a paz parece um desejo utopico. E na minha cabeça fica apenas o seguinte mantra: "Nada! Nada! Nada!". Entendam em todos os sentidos da palavra.
Quando o Marc veio para cà no começo de setembro, as coisas com o Dani iam bem, nada parecia estar fora de lugar. Mas a vinda do pseudo-francês veio para bagunçar tudo de vez. Pode ter sido ciume da parte dele, mas eu ainda acredito que ele està comigo por conveniência e até agora não parou de atuar seu pequeno monologo.
Tudo começou quando ele achou que eu estava voltando com o Marc, apesar de eu confirmar de todas as maneiras possiveis que eu nao o queria mais. Claro que eu omiti que ainda fui para a cama com ele quatro vezes. Uma pura falta de pinto, vou ser bem claro: o namorado atual é passivo e tem um instrumento pequeno, logo, as chances dele me satisfazer são pequenas. E também com o Marc eu tenho a segurança de não usar preservativos, coisa que eu nao posso fazer com qualquer um. Mas claro, que não passou de sexo sem sentimento, apenas algo mecânico para suprir uma falta que vem ocorrendo.
Numa das noites em que fui ao Aloca com o Marc, Daniel me disse "beije um garoto". E eu o fiz. Beijei um garoto que me lembrava muito o Camilo, apenas na aparência, pois no resto, ele não parecia em nada com ele. Como ele me deixou uma marca no pescoço, Daniel começou a ficar desconfiado. Foi ali que sua confiança ficou abalada e ele começou a vir para a guerra. Ao mesmo tempo, ele não assume que era ele quem havia me traido no primeiro lugar. Não tenho como confirmar, mas a quebra da confiança jà foi uma enorme traição.
Depois que Marc foi embora, Daniel ainda arrumou motivos para vir me atacar. Primeiro foi o fato de eu passar muito tempo no computador, depois ele veio com a historia de que eu não lhe dava a atençao que ele queria e em seguida foi uma baita duma incompreensão de sua parte em não ver as minhas necessidades, apenas as dele.
Agora ele me colocou num triângulo amoroso com minha propria mãe. Para ser sincero, eu mesmo não sei como descrever a situação. Ele meio que namora com os dois como se nos fôssemos a mesma pessoa; minha mae sendo o cérebro, com quem ele pode conversar e eu, o corpo, com quem ele pode trepar. Quando eu fui reclamar da situação, ele me disse que era algo da minha cabeça. Claro que ele não iria assumir esta responsabilidade, ele não tem maturidade suficiente para tal.
Não apenas isso, quando eu falei que não tinhamos assunto para conversar, ele me disse que eu tinha que entrar no mundo dele. Entrar como, se ele não me ajuda na tarefa? Eu não sou detetive e nao tenho como simplesmente me encrustar. Ele, no entanto, parece ser especialista em tal. Ele não quer entrar em meu mundo, ele quer viver nele. Explicando: ele me manipula para vir morar em minha casa, dizendo qe nao tem para onde ir, que não se sente bem na casa dos pais nem na dos amigos. Que eu saiba, isso não quer dizer que eu tenha a obrigação de assumi-lo em minha propria moradia. Pelo contrario, ele deveria se mobilizar para conseguir um local para si proprio. Hoje ele deixou suas coisas aqui, foi ao mercado comprar comida para si mesmo e seguiu com o seu dia longe de minha casa, como se aqui fosse um hotel.
Eu vejo que além disso, ele nao consegue se relacionar apenas comigo; precisa sempre ter alguém a mais. No caso deste final de semana, depois de vir me dizer que eu não marcava mais encontros com ele, que não faziamos mais nada apenas os dois, ele me convida para ir ao cinema. Ao chegar no Espaço Unibanco, ele me diz que chamou também uma amiga dele. Eu fiquei fulod a vida, perdi o tesão de fazer qualquer coisa ali.
Logico que eu não falei pra ele que na noite anterior eu sai com o menino do Aloca e trepei até cair duro. Sim, mais uma vez a falta carnal falou mais alto. Como que eu posso ir para a cama com alguém que, além de não me satisfazer, ainda aparece sujo?
Enquanto ele me pede para mudar, ele mesmo não muda. Ele não sabe se relacionar e não quer fazer concessões. Pelo contrario, ele quer fazer imposições. Para mim jà està claro que esta relação não irà mais longe que isso. E o mantra continua, "Nada... Nada... nada!"