Daniel²
Depois de um lindo pé na bunda, naquela quinta da semana retrasada, um amigo me ligou pra gente ir ao Aloca. Logico que aceitei o convite - tudo do que precisava era d'uma putaria desvairada.
Logo que entramos, apos horas bebendo no boteco da esquina e falando com converter o amigo hetero dele em gay, nos posicionamos estrategicamente na pista para poder ver o show da Ginger Hot.
Durante o show da dita cuja, eu avistei um "Damon Albarn" de camiseta vermelha e o primeiro pensamento que me passou foi: O que fazer para tê-lo?
O vi acender um cigarro. Foi ali que eu me disse que iria ataca-lo. Fui, todo fofo e sexy e pedi um isqueiro. Começamos a dançar. Oferecei bala, bombom, chiclete, mas nada adiantava. O dj tocava Madonna freneticamente e eu nao sabia se me concentrava nele ou nas musicas.
Can't get you out of my head: *o* momento X. Nao me fiz de rogado, fui cantarolando a musica e indo pra perto dele. Antes do primeiro refrão ele me puxou e começou a me beijar.
Saimos a pista e fomos para o bar pra poder conversar. Qual nao foi a minha surpresa ao descobrir que temos o mesmo nome e ele também acabou de chegar de uma longa estadia na Europa?
Bom, passamos a noite juntos e marcamos de nos encontrar no dia seguinte para irmos ao drosofila e ao vegas.
Barzinho tudo de bom na sexta à noite, conversas, beijinhos, tudo como eu gosto. Vegas foi maravilhoso! Encontramos a Vallone e o Drako, passamos horas dançando e beijando e voltamos com os dois para o Atari, so para fechar a noite.
No sabado eu fui na casa dele para vermos "A Ma Educaçao". Claro que o filme acabou sendo apenas pretexto...
Domingo, dia dos pais, fui para a casa da minha avo. o Erro! abafa o caso e vamos para a segunda.
Fomos secos ao Gay Caneca para ver A Fantastica Fabrica de Chocolate, mas so tinha dublado. Resultado: fomos ver Agua negra. Um filme que podia ser bom, mas o final fantasioso deixou a desejar. Depois a gente foi a um bar na Consolaçao pra beber uma cerveja e ficar juntos... Cheguei em casa, jà pensando no que fazer no dia seguinte.
Na terça ele veio para cà. Vimos uns seriados e ele resolveu dormir aqui. Foi fofo, dormimos juntinhos so de cueca, mas nada além disso se passou.
Quarta foi aniversario do Rô na casa das Dollys, fui para là e me diverti pencas com as drags. Um clime super alto astral, vendo pessoas novas e revendo pessoas de sempre.
Na sexta ele veio para cà novamente. Passou sexta, sabado, domingo e so foi embora hoje cedo... Agora é oficial, namoro. Não transamos, apesar de minha leve insistência. Melhor esperar um pouco mais, né?
So pra concluir, exes pipocando por todos os lados, querendo me ver, voltar ou seja là o que for... realmente, quando você pula fora, todos resolvem te querer de volta. A vida é uma ironia sem fim.
The Actor, His Boyfriend and I
Faz tanto tempo que eu nao ponho os dedos neste teclado que eu mesmo nem sei por odne começar à contar as novidades!
Bom, mudei para o apartamento novo. No mesmo dia eu fui ao Aloca com um amigo... eu estava doido para beijà-lo - e assim foi feita minha vontade!
Beijei ele, o amigo dele, o amigo do amigo dele... enfim... no total, éramos um casal de 10 pessoas. Ao final da noite, cada um havia achado a sua boca perfeita. E foi literalmente isso, não houve envolvimento e nem ao menos a possibilidade de uma segunda baladetta dessas.
Dia seguinte, aniversario da Lilo. Girl Talk reinando.
No sàbado (terceiro dia saindo sem parar), eu fui para a ***** (abafemos o local) louco para ficar com o Gui Amy Candy. Juro, queria ele e mais ninguém. Ginger Hot quase me matou quando eu fui sondar sobre o garoto. Uma hora conversando com ele, eu desencantei e desencanei. Ele me disse que esperava um amigo e que assim que o visse, iria embora.
O amigo chegou com uma menina loira que era tudo de engraçada. Ficamos conversando os quatro até chegar o famigerado ex dele. O tal Bruno (também conhecido por um nome de drag que agora me fugiu. Fica Bruno mesmo e meu cu pro mundo!) ficou perguntando muito sobre mim, querendo saber se eu estava com ele, de onde eu surgi, etc. etc.
Até então, nem tinha me passado pela cabeça de ficar com o amigo do Gui. Assim que ele foi embora, eu passei a noite com esse estranho e peculiar casal - a loira baixinha louca da xana total e o amigo do Gui - conversando, rindo, bebendo, curtindo a balada no geral. Horas depois, bateu sim a vontade de conhecer o tal amigo do Gui, que agora eu descobrira que é ator, no sentido mais sentimental da coisa.
Depois de uma cerveja, provavelmente a minha décima oitava da noite, fomos pra pista com o irmão e a cunhada do ator. Vamos chama-lo de Berger por ele encaixar perfeitamente na minha comparação da vida com Sex and The City.
A amiga dele, dado momento da noite, vem me questionar:
- O que você achou do Berger?
- Ah, ele é fofo. Muito fofo.
- Tà, o que é fofo?
- O que você quer saber de verdade?
- Rola?
- Demorou.
Ele veio pra perto, mas nada acontecia. Eu me aproximava dele, mas ele so se afastava. No entanto, ele me chamou para irmos ao bar, historia de conversar um pouco, dai sim eu comecei a investir nele.
Beijamos, fui falar com a amiga dele, voltei e segue o seguinte dialogo:
- Eu acabei de mudar... estou dormindo muito mal por causa do colchao improvisado. Mal vejo a hora da minha cama chegar!
- Quer vir para a minha?
Eu nunca me vi numa sinuca tão feia. Não sabia o que responder. Eu disse à mim mesmo que mudaria meu comportamento de dormir no primeiro encontro tendo em vista experências desastrosas do passado. Minha resposta foi clara, pelo menos pra mim:
- Eu prefiro esperar antes de fazer qualquer coisa. Quero um envolvimento, um carinho mutuo; não um frantic tumble then a shy goodbye, creeping home before it gets too light.
- Não foi isso que eu quis dizer, calma.
Acho que o deixei sem graça. A situação ficou embaraçosa para os dois. Mas até então, sem grandes problemas se você comparar com o que està por vir.
Naquela semana nós nos vimos no domingo e na quarta, além de nos falar no telefone várias vezes no dia. Foi mágico. Me remeteu ao meu começo de namoro com meu Sr. Noir... foi simplesmente tudo o que eu esperava de um homem.
Na quinta feira ele ficou de me enviar uma mensagem pela manhã, historia de me acordar de um modo que a expectativa para o nosso encontro daquela noite fosse ainda mais especial. Eu havia cedido, um pouco à contra gosto e por medo de perdê-lo, a deixà-lo dormir em casa.
Ligo em seu trabalho e ele ainda não havia chegado. Ligo para sua casa, ele havia saido hà mais de duas horas. Passo o dia tentando localiza-lo. Là pelas tantas, eu descubro que ele havia sofrido um acidente de moto. Passo a noite a tentar falar com ele. Consegui, depois de muito esforço, falar com o irmão dele, que o acompanhava no hospital.
Soube que foi grave mas que ele não corria risco algum. Fiquei mais aliviado. Marquei de ir visità-lo no sabado - sob a condição de que o ex não estivesse là.
No dia em que fui, ele realmente não apareceu. Entretanto, no dia anterior, o Bruno o esperava na porta de casa. O pegou no colo para que ele nao tivesse que subir as escadas e ainda deu banho nele. Segundo o Berger, eles nao fizeram nada de mais, mas a insegurança bateu ali. Foi quando eu tive certeza de que esta relaçao não irà para frente até que eles se separem definitivamente.
Segunda feira seguinte, falei com ele pela manhã e ele me disse que iria para o teatro ensaiar. Fui ligar para ele à noite novamente e nao consegui. Sua irmã me disse que ele estava na casa da amiga do começo da historia. No dia seguinte liguei novamente e sua mãe me disse que ele estava na casa da madrinha. Na quarta feira, desencanado de tudo, eu liguei para a amiga dele e ela me disse que ele havia "desaparecido", ninguém o achava.
Naquela quarta eu tive a infelicidade de comer um frango à parmegiana cujo molho estava muito concentrado. Resultado: fui parar no hospital na quinta feira. Ao saber que eu fui hospitalizado, ele me ligou assim que pôde. O telefone era de são caetano, e nao de moema, como deveria ser o telefone de sua madrinha. Eu jà abri os olhos. Pedi-lhe para que não sumisse mais daquela forma e que desse noticias.
Eu liguei para ele na mesma noite e tivemos uma longa conversa. Ele me disse que havia passado aqueles dias na casa do Bruno. A desculpa foi a de que ele não tinha como voltar tão tarde do teatro para casa e que, então, seria mais facil e pratico ir para a casa dele. Isso não justifica o seu sumiço, ele poderia ter me considerado e não ter feito tal coisa.
Decidimos sair na noite seguinte. Quer dizer, ELE decidiu. Eu havia dito que queria vê-lo. Ele me disse que iria para a **** (abafa!). Eu disse que iria apenas para vê-lo, mais nada.
Ao chegar por là, sou cumprimentado pelo Bruno na maior caruda. Minha vontade era de enfiar os punhos em seu peito e arrancar com as unhas o que ele acreditava ser um coração. Fiz-me de hipocrita, sorri e ignorei.
Ele chega. Naquele dia, eu passei a tarde toda no salão de beleza mudando o cabelo e cuidando de unhas e maos. Ele não fez nenhum elogio, não olhou para mim, ficou frio, distante... parecia que eu havia cometido algum crime.
Fomos para a pista. Em menos de 5 minutos ele disse que iria guardar seu casaco e que voltava logo. Esperei mais de 30 minutos. Minha pressão caiu por causa do calor. Estava indo ao bar para beber algo quando dou de cara com ele conversando com o Bruno. Meu sangue ferveu na hora. Virei as costas, peguei a amiga dele pelo braço e fui chorar no andar inferior. Nunca senti-me tão desconsiderado por alguém. Sei que jà houveram situações piores, mas o sentimento ali foi de abandono total.
Sua amiga tentava me animar de todas as formas. Dado momento, enquanto ajeitava seu sutiã, dois garotos começam a puxar assunto com a gente por causa de seu busto em evidência. Um era lindo, fofo, eu faria facil... ele era a cara do Nada. O outro era esquisitinho, porém muito gostoso. Este segundo me pergunta se jà nao nos conhecemos. Eu falei que era dificil pois tinha acabado de chegar ao Brasil. Grande boca essa minha! Ele me pergunta se sou francês... Era ninguém menos que Pierre, o pseudo francês que eu conheci - e fiz - ano passado na Puerto Livre.
Ele deu umas duas ou três investidas em mim até eu quebrar a noticia de que estava praticamente namorando. Seu amigo não se fez de rogado: vendo que eu o havia dispensado, ele veio se atirar em mim. Tive que ser forte para não ceder, pois ele era realmente muito parecido com o Nada... e naquele momento eu não queria ninguém além dele, o Nada.
Ao comentar com ele que ele parecia com um ex meu - que pertencia à familia Fleury - ele me pergunta se se tratava do Nada. Eu disse que sim e então ele fugiu. Sumiu. Cortou a conversa ali. Vim a saber, mais tarde, que ele foi o namorado que ele teve logo apos eu.
Pronto, quando eu achei que a noite não podia ficar pior, ela foi ainda mis baixo: Berger apareceu e me chamou para ir conversar. Disse que eu estava tendo uma crise de ciumes e que não foi para isso que ele tinha ido là. Eu apenas respondi que passei a tarde me arrumando, que queria estar lindo e poder ficar com ele, mas isto não aconteceu pois o Bruno estava là.
Fui ao banheiro chorar, voltei e dai a gente ficou junto novamente. As coisas foram esquentando. Voltamos para a pista, achamos um canto, eu fechei os olhos, imaginei o Nada e começamos a nos devorar.
Não se passaram dez minutos quando a amiga dele surge, fala com ele, ele sai e não volta. Eu pergunto o que acontecia. Ela me diz que o Bruno havia bebido muito e que estava desmaiado no bar. Eu não podia acreditar: até onde ele iria para chamar a atenção do Berger?
Fiquei esperando sentado, nao queria ir ao bar e vê-los juntos. Passaram-se dez minutos, vinte, trinta, uma hora. Depois de uma hora e meia com os dois desaparecidos, comecei a procura-los por todos os cantos. Achei o Berger na saida, pagando sua comanda e dizendo que ia levar o Bruno para casa - dirgindo o carro dele!!! Não aguentei, não me despedi dele e voltei para a pista com a amiga dele. Eu estava literalmente dançando e chorando - por dentro, não podia mostrar este meu lado na frente de todos.
Voltei para casa no automatico. Dormi, devia encontrar com ele à tarde mas despensei o programa. Fomos nos ver à noite. O programa era ir a um motel e fuder até cair duro. So que como o Bruno soube dos nossos planos antes, a estratégia dele funcionou. Chegamos ao quarto, fizemos algo extremamente light e, diga-se de passagem, chato, e caimos no sono.
No dia seguinte, apos transar mais uma vez, ele me solta que passaria a semana na casa dele. Eu fechei meu corpo na hora. Não queria mais papo. Não sei se ele percebeu minha frieza.
A noite eu fui vê-lo apos o ensaio do teatro, com a sua amiga. Ele me excluiu da conversa com ela, falandod e assuntos que apenas eles dois entendiam. Sentamos num lugar para comer e ela perguntou sobre a nossa noite, pediu detalhes e tal. Eu não podia dizer a verdade. Fui obrigado à mentir...
Nisso, eles começaram a falar de exes e quem volta ao assunto? Bruno, claro. Entre ex namoradas e ex namorados, ele foi o assunto da conversa entre os dois. Me senti invisivel. Berger ainda foi mais longe, querendo que eu fosse para a cama com a melhor amiga dele. Eu subi no primeiro ônibus que pude e voltei para casa, triste, chateado, querendo que o mundo voltasse ao normal.
Hoje ele ficou de me ligar. Passei o dia esperando um telefonema dele e não veio nada. Acho que a nova temporada na casa do Bruno jà està apresentando suas consequencias: mais uma vez ele mentiu para mim dizendo que ele trabalharia a noite toda, então não se encontrariam. Eu não acreditei em tal historia. Prova disso, hoje ele nem sequer lembrou da minha existência, à não ser para me lembrar da peça dele no sabado.
Esta é a primeira vez que eu saio com um ator e provavelmente eu vou ganhar um oscar pelo meu papel. Eu digo à ele que tudo vai bem, quando por dentro eu estou me desfazendo. O problema, na verdade, é saber quando o seu espetaculo acabou e quando ele està dizendo a verdade. Estou chegando à conclusão que namorar com um ator é viver num drama sem fim: não tem como saber o que é real e o que é encenação. A duvida que não se cala é: "deixo-o para là ou ainda dou mais chances?"